Piada de José Simão sobre governador eleito do RJ gera reação da Universal: “Preconceito”

Uma piada do jornalista José Simão sobre a vitória de Wilson Witzel (PSC) para o governo do Rio de Janeiro está motivando queixas da Igreja Universal do Reino de Deus, que alega uso de “tom pejorativo” para se referir aos evangélicos.

No dia 29 de outubro, Simão afirmou em sua coluna na Rádio Band News FM que a vitória de Wilson Witzel não combinava com o Rio de Janeiro, que passaria a ter prefeito e governador “evangélicos”. O governador eleito, no entanto, é católico, embora diga partilhar os princípios evangélicos, de acordo com informações do portal Uol.
“Eu acho que o Rio precisava mais de juiz de futebol. Eu não gosto do Witzel, já lhe disse, porque ele batia no Pica-pau. Ele é a cara do Calixto, que batia no Pica-pau. E Pica-pau é o [Eduardo] Paes, não é? Ele tem cara de Pica-pau”, disse Simão, fazendo troça com a aparência do governador eleito, numa referência ao desenho animado Pica-Pau.

“Com essa, o Rio vai ficar com prefeito e governador evangélicos. Não combina. Os cariocas, agora, em vez de pagar imposto vão pagar o dízimo”, acrescentou, às gargalhadas. A essa altura, o âncora da emissora, jornalista Ricardo Boechat, responde que “o Crivella o apoiou”, e Simão emenda: “Claro, porque o sambódromo vai virar Templo de Salomão”.

A piada, politicamente incorreta, foi interpretada pela Igreja Universal do Reino de Deus como uma agressão. A denominação liderada pelo bispo Edir Macedo usou seu site oficial para se queixar da forma como os dois jornalistas se referiram ao prefeito Marcelo Crivella (PRB), bispo licenciado da igreja, e de sua sede, na capital paulista.

“A Igreja Universal do Reino de Deus lamenta profundamente o tom pejorativo dispensado aos evangélicos por profissionais contratados pela Rádio BandNews FM. […] Ricardo Boechat e o humorista José Simão resolveram fazer piada com a Fé do novo governador do Rio de Janeiro e do prefeito da capital do estado”, diz trecho da nota da denominação.

“Por trás dessas piadas sem graça, há um mal disfarçado desconforto com o fato de evangélicos ocuparem cada vez mais espaço na vida do país, eleitos pelo povo que não suporta mais tanta roubalheira e incompetência”, pontua o texto. “O Brasil é um Estado laico, o que significa que existe uma completa separação entre igreja e governo. Menos na cabeça de setores da mídia – como é o caso de Simão e Boechat – que acreditam que o Estado laico não vale para os evangélicos, mas apenas para outras religiões. A Universal espera que a mídia entenda e respeite a clara mensagem que a população brasileira deixou nas urnas. E sobre o humor de José Simão a respeito dos evangélicos: a graça termina onde começa o preconceito”, finaliza a nota.